Flora

por Ronaldo Pereira

A flora arbórea da Serra do Japi

A Serra do Japi está situada em uma região densamente povoada do estado de São Paulo, sofrendo, ao longo de toda sua extensão, uma pesada interferência antrópica de pelo menos três séculos. Esta perturbação, em verdade, explica em grande parte sua atual fisionomia e também sua composição florística. A fisionomia, de um lado, é marcada por um aspecto de mosaico, com áreas variadamente mais densas e áreas mais abertas, regiões com árvores de grande porte e regiões com árvores de menor porte, em função de queimadas, abate para agricultura e retirada seletiva de madeiras mais nobres. A florística, em função destes mesmos fatores, também sofre alterações, que são finalmente acrescidas das alterações da fauna, que eliminaram ou reduziram drasticamente populações de animais potencialmente polinizadores e dispersores de várias espécies (Silva 1992).

Além das alterações de origem antrópica, que provocam diferenças vegetacionais, existem aquelas naturais que são devidas a diferenças de solo, de umidade e de altitude e que vão contribuir para caracterizar floristicamente algumas regiões da Serra do Japi. Finalmente, existem ainda algumas regiões restritas, no geral com afloramento de rochas, que exibem vegetação de características xeromórficas, provavelmente relictos de épocas passadas quando os climas eram sensivelmente mais secos (Ab’Saber 1970a).
Deve ser ainda destacado que a Serra do Japi ocupa uma posição geográfica muito peculiar no estado de São Paulo, estando situada em uma região de interface entre duas fisionomias de vegetação distintas, de ampla distribuição no Brasil – a Mata Atlântica e as florestas estacionais semideciduais do Planalto (Leitão-Filho 1982, 1986).

Florestas estacionais semideciduais

As florestas estacionais semideciduais ocupam a maior parte da área florestal da Serra do Japi. São florestas caracteristicamente sazonais, com um período de perda de folhas que, em geral, vai de Abril a Setembro (Morelatto et al. 1989). Esse período corresponde à época mais fria e seca do ano, inclusive com a eventual ocorrência de geadas (Pinto 1991). Essas florestas são caracteristicamente altas, com indivíduos emergentes de 20 a 25 metros de altura, com copas sobrepostas. Esse tipo de floresta tem uma ampla área de ocorrência no Brasil, desde a região da Serra do Japi até o norte do Paraná, alcançando a Argentina e sul do Paraguai de um lado e, de outro lado ocorrendo até Goiás, Minas Gerais e sul da Bahia.
São florestas de diversidade florística alta, com algumas famílias caracteristicamente bem representadas – Leguminosae, Rutaceae, Meliaceae, Euphorbiaceae, Myrtaceae, Rubiaceae, Lauraceae. Estas famílias sempre apresentam um considerável número de espécies e, em todos os estudos florísticos realizados, ocuparam as primeiras posições no que se refere à riqueza específica e número de indivíduos.

Florestas estacionais semideciduais de altitude

Nas regiões mais altas da Serra do Japi, particularmente em áreas com altitudes superiores a 1.000m, surge uma formação florestal com características peculiares que podem separá-la das formações que não sofrem influência de altitude. Estas florestas não são exclusivas da Serra do Japi, mas ocorrem ao longo de toda a Serra da Mantiqueira e seus contrafortes no estado de São Paulo (Meira-Neto et al 1989), adentrando o estado de Minas Gerais pela região de Campos do Jordão (Mattos & Mattos 1982), ocorrendo ao longo da Serra dos Órgãos nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
A fisionomia destas florestas estacionais semideciduais de altitude é marcada por árvores de porte variando entre 10 e 15m, com poucos indivíduos emergentes. O estrato arbóreo é bastante denso, com árvores próximas, com copas nitidamente sobrepostas, garantindo um sombreamento denso do solo. As árvores, em geral, não apresentam diâmetros de caule muito expressivos e o estrato herbáceo e arbustivo é muito mais pobre que o das florestas que não ocorrem em áreas de altitude (Rodrigues et al 1989).
A florística das florestas de altitude apresenta diferenças quantitativas e qualitativas em relação às florestas de regiões mais baixas, com algumas espécies exclusivas e outras que demonstram claras preferências por ambientes mais altos. Essas condições são basicamente representadas por solos mais pobres e ácidos, fortemente erodidos, no geral bem mais rasos e presença muito frequente de densos nevoeiros. Esse conjunto de fatores parece favorecer algumas espécies, que são comuns ao longo de toda a área de ocorrência destas florestas (Rodrigues & Shepherd 1992, Morellato 1992).

Obras literárias consultadas:
Leitão-Filho, H.F. 1992. A flora arbórea da Serra do Japi. Pp. 40-62. In História natural da Serra do Japi: ecologia e preservação de uma área florestal no Sudeste do Brasil (L.P.C. Morellato, Ed.). Editora da Unicamp/Fapesp, Campinas.

⁂ A Fauna

« página anterior


▲ voltar ao topo


Fundação Serra do Japi

Av. da Liberdade, s/nº – 8º andar ala norte - Jundiaí – SP
(Paço Municipal Nova Jundiaí)
☎ +55 11 4589-8562 | +55 11 4589-8445

Av. Brazil Tãmega s/nº - Jundiaí – SP
(Base Ecológica da Serra do Japi)
☎ +55 11 3317-5058

Projeto Nossa Serra

Para informações sobre visitas monitoradas (Projeto Nossa Serra) nos finais de semana e feriados ligar para:
☎ +55 11 4589-8566


Fundação Serra do Japi | Desenvolvido por CIJUN